Vulto

Quem és tu afinal? Tu que vomitas o asco da palavra fácil. Tu que tropeças no mais elementar dos jogos. Pisas a surdina e representas o banal. Contudo, andas por cá. Um vulto, nórdico, de óculos fora de tempo, de resposta em disparo. Voltas sempre porque este calor é o calor do tempo que já não tens.
Lembro, nas curtas frases que te oiço, o quanto brilhas com o tempo onde a luz eram as estrelas do monte. Entro em ti porque sou, em parte, o que não consegues ser. Não pela genialidade mas pela lembrança, crua, que te levo sempre que te deixas embarcar pela infância.
Não te peço para curvares o que tens em ti. Jamais o farias porque o pedestal, hoje, não te permite parar. Porém, o tempo é madastro para aqueles que o trepam. Tu serás o pedinte da favela rica. Um corpo sem perfume. Nessa hora nem um golpe de asa te valerá.